29.9.14

vem cá, que essa festa que é minha vida mudou de lugar.

13.9.14

Qualquer coisa chamada Verdade, como talvez um animal ou uma sombra. 

(resumo visual dos últimos meses, incluindo:
volta a bordeaux;
chá com monet;
mimizices;
um novo morador.)

8.8.14

A impressão que tenho agora é a de ser muito frágil - mentamente frágil - e não gosto nada disso. Da normalidade a uma crise não é preciso mais do que um tropeço: logo estou no chão, tremendo como se chacoalhada por mãos invisíveis nas pontas de bracinhos que saem de meus próprios bolsos. Duendes tristes - não sei - ou muito malvados. Não terminei a história do melro pois não sei voar, mas tenho grandes planos. Vejo-o pousando em galhos de árvores fantásticas, puxando a primavera na ponta do bico agitado. Sou mais frágil do que o melro, e nem tenho penas tão pesadas assim; mesmo assim, não posso fugir. Migrei para os países frios, voltei para os países quentes e descobri que não era o clima o que eu temia. Nem coisa alguma.
O melro voa, a Alma cai.

7.8.14

de alguma forma,

me parece que eu não soube digerir a vida.
na ampla cama do hospital, vomito as mariposas e as estranhas flores que para mim já não têm nenhum gosto.

O sentido

O sentido é
Alias, ele *não é* esse tipo de objetivo, não existe uma linha de chegada e ainda bem. Existe um crescimento em permanência, um movimento constante de coisa viva, orgânica, que nasce e morre e renasce ainda, num corpo todo novo.
Eu ouço as cigarras cantando debaixo da terra e sei que sou filha do mesmo canto. Sei que essa terra morna respira através das asas das mariposas, do tronco de cada árvore.
O sentido é essa atividade constante, os tropeços no caminho, as feridas que abrem e fecham como flores. Estar vivo é maravilhoso e mágico até quando a única coisa a fazer num domingo é andar sem rumo, voando baixo e pousar sem grandes expectativas num banco de praça diante da catedral e maravilhar-se com a visão simples e gratuita das pombas ciscando frutas vermelhinhas e sem nome.
O sentido é notar que cada folha responde de maneira diferente ao toque. Que cada pessoa tem um mundo interno intransponível e que não há nada mais humano do que as tentativas incansáveis de compartilhar esse mundo com um outro, de fazer com que esses mundos coincidam.
O sentido é que não existe fim e nem trama definida; o holofote ilumina a todos.
Não sei; eu gosto. Às vezes sinto que não há eu suficiente para tanta vida.

22.7.14

your wounds will heal 
so quickly water 

will be jealous.

12.7.14

pode parecer uma casualidade - ou um erro, resultando de uma falta de jeito com a câmera - mas eu acredito mesmo que todo dedo na lente é na verdade um desejo (incontido!) de aparecer na foto.
a sombra alaranjada de um dedo médio ou indicador é a forma do fotógrafo tímido atestar de sua presença, ainda que inconveniente, no momento capturado, de clamar sua participação na criação da imagem. sabendo que a fotografia é, em última instância, fatal, ele marca na foto sua impressão digital - para reconhecimento póstumo ou para viver para sempre no filme.